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Quem sou eu?
APENAS O SILENCIO
Às vezes o pensamento está em silêncio mas nele correm rios de
palavras
soltas que se acumulam e desaguam neste mar de dúvidas e
incertezas.
Aqui não se publicam verdades absolutas, apenas vivências do
passado.
Manoel Denys



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Ser poeta
Rosa Candida
Ser poeta é imaginar figuras
Através das letras,
É ser
amigo
Do papel e da caneta!
Ser poeta é ser livre
Para escrever o momento
Da
felicidade e infelicidade,
Das ilusões e desilusões,
É fazer da
vida
Uma estrada florida!
Ser poeta é chegar de mansinho
Nas asas da imaginação,
É
voar pelos sentimentos,
É quase deixar de lado a razão
E viver a
emoção!
Ser poeta é viver profundo,
Ser poeta é trazer o
mundo
Dentro do coração,
Ser poeta é ser sublime
Nas linhas da
ilusão!

HOMEM SEM ROSTO
Onde se esconde, dono de mistérios!
Pouco sei dos seus
gostos, sei apenas teu nome!
Tracei suas linhas em minha mente,
Talvez
moldei à minha maneira...
O desenhei pelas suas palavras?
Onde esconde
teus medos...
Os teus anseios...
Terá passado por mim,
Com passos
largos, e nem notei?
Será feito como eu...
Terá minha doçura?
Peguei-me
rindo quando tentei entendê-lo,
Como poderia...
Pois tenho em mim os olhos
como uma entrada para um labirinto,
As vezes escuro, na qual poderei me
perder, ou enfim...
Descobrir a verdade de todo um mistério.
Manoel Denys







Layout Criado por:

DOCES LEMBRANÇAS
Lembranças, o que são elas,
senão momentos únicos que alimentam o presente
Seis anos, eu ainda menino, cheio de descobertas pela frente,
sonhos, mas sonhos de momentos..
Lembro de um, que de fato ficou aqui gravado.
Tinha 6 anos, não mais, era dezembro, fomos passar as férias na casa
de meus avós, cidade do interior, sinal de coisas boas.
Cinco horas da manhã, não mais que isso, lá fora pássaros já anunciavam o novo dia, saltitando de galho em galho e eu ali,
num quarto escuro, casa de minha avó, lugar modesto, de chão batido,
paredes feitas a barro e madeira, um paraíso.
Silêncio, nenhuma voz, todos ainda dormiam cansados do dia anterior.
Havíamos saído para uma pescaria, onde todos menos eu,
conseguiram fisgar um peixe,mas eu, quase.
Desde pequenos sempre tivemos este espírito de pescador.
Ponho-me de pé, o medo do escuro e de saber ser o único ali
que despertara, me faz ficar atento a qualquer ruído.
Agora ouço barulho de chinelos se arrastando pelo chão batido,
descem o corredor em direção à cozinha, espero uns minutos, e me arrisco àquela aventura descobrir quem era o dono daqueles passos.
Sigo de mansinho pelo corredor, chego à porta da cozinha,
e ali vejo um corpo franzino, lá pelos seus setenta e oito anos,
marcado pela vida difícil de pessoa humilde.
Arcados sobre o fogão a lenha,
seus braços o percorriam com tanta leveza, como a saber
de seus atalhos pois ali sobre ele, passaram-se anos de sua vida.
Ela se vira, me vê ali, olhos acesos, sorri, acena pedindo que chegue mais perto e me beija, pondo-me em seguida sentado à mesa,
e num instante surgiu em minha frente um café negro como o quarto,
de perfume até hoje inigualável.
Pão feito no forno de barro, obra de meu avô.
Ela senta-se à minha frente e passamos a nos deliciar com o banquete.
Permanecemos ali calados, só com troca de olhares.
Terminado o café, levanto-me e sigo em direção ao corredor onde encontro minha mãe e meus irmãos que me questionam:
O que eu fazia ali naquela hora da manhã, porque não os chamei?
Nada respondo.
Viro-me, olho o rosto de minha avó e sorrio.
Ela me devolve o sorriso sem comentar
o que ocorrera ali momentos atrás.
Corro em direção ao quintal.....
Até hoje lembro desse momento, onde por quase uma hora,
sem pronunciar uma única palavra, fomos avó e neto, mãe e filho, fomos, cumplicidade, amor, carinho, respeito.
Pena que não pudesse tê-la em minha vida por muito tempo.
Antes de completar 8 anos, ela já não mais estava ali.
Coisas da vida, hoje entendo.
Sei que jamais se perderão de meus pensamentos.
Doces lembranças... doces lembranças de minha avó...
Doces lembranças.
Manoel Denys
Manoel Denys
